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sexta-feira, 31 de julho de 2009

O RACIOCÍNIO E O ARGUMENTO, É ALGO QUE PODE DEFINIR A CAMINHADA HUMANA EM MUITOS ASPECTOS


I. DEFINIÇÕES
1. O raciocínio, em geral, é a operação pela qual o espírito, de duas ou mais relações conhecidas, concluí uma outra relação que desta decorre logicamente. Como, por outro lado, as relações são expressas pelos juízos, o raciocínio pode também definir-se como a operação que consiste em tirar de dois ou mais juízos um outro juízo contido logicamente nos primeiros. O raciocínio é então uma passagem do conhecido para o desconhecido.
2. O argumento é a expressão verbal do raciocínio:
3. O encadeamento lógico das proposições que compõem o argumento se chama forma ou conseqüência do argumento. As próprias proposições formam a matéria do argumento. A proposição a que chega o raciocínio se chama conclusão ou conseqüente, e as proposições de onde é tirada a conclusão se chama coletivamente o antecedente:
O homem é mortal. Ora, Pedro é homem (Antecedente).Logo, Pedro é mortal {Conclusão).
4. Conseqüência e conseqüente. — Estas definições permitem compreender que um argumento pode ser bom para a conseqüência e mau para a conclusão ou conseqüente.
Por exemplo:
Todo homem é imortal Conseqüência boa.
Ora, Pedro é homem. Conseqüente mau.
Logo, Pedro ó imortal.

Do mesmo modo, um argumento pode ser mau para a conseqüência e bom para a conclusão ou conseqüente. Seja:
O homem é livre.
Conseqüente bom.
Ora. Pedro é homem. Conseqüência ma.
Logo, Pedro e falível.
5. A inferência.

— O termo inferência é muitas vezes tomado como sinônimo de raciocínio. Na realidade, tem um sentido multo geral e se aplica não somente a toda espécie de raciocínio’ (dedução, indução), mas também, embora menos propriamente, às. diferentes operações de conversão (19). Servimo-nos, neste último-caso, do termo inferência imediata.
II. DIVISÃO
21 Como o raciocínio consiste em se servir do que se conhece para. encontrar o que se ignora, dois casos podem produzir-se, conforme seja o que se’conhece inicialmente uma verdade universal (raciocínio dedutivo), ou um ou vários casos singulares (raciocínio indutivo).
1. O raciocínio dedutivo. — O raciocínio dedutivo é um movimento de pensamento que vai de uma verdade universal a uma outra verdade menos universal (ou singular). Por exemplo:
Tudo o que é espiritual é incorruptível. Ora, a alma humana é espiritual. Logo, a alma humana é incorruptível.
"A alma humana é incorruptível" é uma verdade menos geral do que a que enuncia que "tudo o que é espiritual é incorruptível".
A expressão principal deste raciocínio é o silogismo.

O raciocínio indutivo:
O raciocínio indutivo é um movimento de pensamento que vai de uma ou várias verdades singulares a uma verdade universal. Sua forma geral é a seguinte:
O calor dilata o ferro, o cobre, o bronze, o aço. Logo, o calor dilata todos os metais.
Art. III. O SILOGISMO § 1. Noções Gerais
1. Natureza do silogismo.

— O silogismo é um argumento pelo qual, de um antecedente que une dois termos a um terceiro, tira-se um conseqüente que une estes dois termos entre si.
a) Composição do silogismo. Todo silogismo regular se compõe então de três proposições, nas quais três termos são comparados dois a dois. Estes termos são:
O termo maior (T), assim chamado porque é o que tem maior extensão.
O termo menor (t), assim chamado porque é o que tem menor extensão.
O termo médio (M), assim chamado porque é o intermediário entre o termo maior e o menor.
As duas primeiras proposições, que compõem coletivamente o antecedente, se chamam premissas, e a terceira, conclusão. — Das duas premissas, a que contém o termo maior se chama maior. A que contém o termo menor se chama menor.
b) Forma do silogismo. Para compreender a natureza do silogismo, tal como o definimos, suponhamos que procurássemos a relação que existe entre a caridade e a amabilidade, estabelecendo esta relação, não empiricamente, mas logicamente, isto é, sobre princípios necessários. Para conhecer esta relação e sua razão de ser, iremos comparar sucessivamente a caridade à virtude e a amabilidade à virtude, porque sabemos que a caridade é uma virtude e que a virtude é amável. Podemos concluir desta comparação que a caridade, sendo uma virtude, é necessariamente amável. Quer dizer que deduzimos da identidade (lógica) da amabilidade e da caridade à virtude, a identidade da amabilidade e da caridade. A idéia de virtude nos serviu, então, de termo médio. Donde o silogismo seguinte:
Μ Τ
A virtude é amável.
t Μ
Ora, a caridade é uma virtude.
t Τ
Logo, a caridade é amável.
Pode-se imediatamente deduzir da forma do silogismo, tal qual ressalta do que acabamos de dizer, que o termo médio deve encontrar-se nas duas premissas, em relação, numa (maior), com o termo maior, noutra (menor), com o termo menor — e que ele não deve jamais encontrar-se na conclusão.
. Princípios do silogismo.

— Estes princípios decorrem da natureza do silogismo. O primeiro é tomado do ponto-de-vista da compreensão, isto é, da consideração do conteúdo das idéias presentes no silogismo. O segundo é tomado do ponto-de-vista da extensão, isto é, da consideração das classes ou dos indivíduos aos quais se aplicam as idéias presentes no silogismo. Estes dois pontos-de-vista são, de resto, rigorosamente correlativos (10)
.
a) Princípio da compreensão.

Duas coisas idênticas a uma terceira são idênticas entre si.
Duas coisas das quais uma é idêntica e a outra não é idêntica a uma terceira não são idênticas entre si.
b) Princípio da extensão.

Tudo que é afirmado universalmente de um sujeito é afirmado de tudo que é contido neste sujeito. Se se afirma universalmente que a virtude é amável, afirma-se pelo mesmo fato que cada uma das virtudes é amável.
Tudo que se nega universalmente de um sujeito é negado de tudo que está contido neste sujeito. Se se nega universalmente que o homem é imortal, a negação se aplica necessariamente a cada um dos homens.
§ 2. Regras do silogismo
As regras do silogismo não são nada mais que aplicações variadas dos princípios que acabamos de enunciar.
Os lógicos enumeram oito regras do silogismo, das quais quatro se referem aos termos e quatro às proposições. Mas estas oito regras podem ser reduzidas a três regras principais, a saber:
1. Primeira regra.

— O silogismo não deve conter senão três termos.
a) Peca-se muitas vezes contra esta regra dando ao termo médio duas extensões (e, por conseguinte, duas significações) diferentes, o que equivale a introduzir um quarto termo no silogismo. No exemplo seguinte:
O cão ladra.
Ora, o cão é uma constelação.
Logo, uma constelação ladra,
O termo médio cão é tomado num sentido, na maior, e, num outro, na menor. Existem, então, quatro termos.
b) Peca-se ainda contra esta regra, tomando duas vezes o termo médio particularmente. Por exemplo, no silogismo:
Alguns homens são santos.
Ora, os criminosos são homens.
Logo, os criminosos são santos.
o termo médio homens, sendo particular nas duas premissas, é tomado, numa, em parte de sua extensão, e noutra, numa outra parte de sua extensão, o que dá quatro termos.
c) Peca-se, enfim, contra a mesma regra dando ao termo menor ou ao maior uma extensão maior na conclusão do que nas premissas. Seja o silogismo:
Os etíopes são negros.
Ora, todo etíope é homem.
Logo, todo homem é negro.
Este silogismo tem quatro termos, porque homem é tomado particularmente na menor e universalmente na conclusão (17). Para que o silogismo fosse correto, dever-se-ia concluir: "Logo algum homem é negro".
2. Segunda regra.

— Se duas premissas negativas, nada se pode concluir. Se, de fato, nem o termo menor, nem o termo maior são idênticos ao médio, não há relação entre eles, nenhuma conclusão é possível. É assim que nada se segue destas premissas:
O homem não é um puro espírito. Ora, um puro espírito não é mortal. Logo…
3. Terceira regra.

— De duas premissas particulares, nada se pode concluir. De fato, neste caso, três hipóteses são possíveis:
a) As duas premissas são afirmativas. O termo médio é, então, tomado duas vezes particularmente (pois, nas particulares afirmativas, o sujeito e o predicado são ambos particulares) e o silogismo tem quatro termos.
b) As duas premissas são negativas. Peca-se, então, contra a segunda regra.
c) Uma premissa é afirmativa, a outra negativa. O médio deve então ser atributo da negativa, que é o único termo universal das premissas (17). Mas, como a conclusão será particular negativa (1), o termo maior, que é seu predicado, será tomado universalmente, e terá por conseguinte maior extensão do que nas premissas, e o silogismo terá quatro termos.
Nada se pode concluir de duas premissas particulares, sem violar uma das regras do silogismo.
3. Figuras do Silogismo
A figura do silogismo resulta do lugar do termo médio nas premissas. Ora, o médio pode ser sujeito nas duas premissas ou atributo nas duas premissas, ou sujeito numa e atributo na outra. Donde quatro figuras:
(1) Em virtude de uma regra do silogismo, segundo a qual a conclusão segue sempre a parte mais fraca, isto é: é negativa, se uma das premissas é negativa, e particular, se uma das premissas é particular.

1. Primeira figura.

O termo médio é sujeito na maior e predicado na maior.
Todo homem (M) é mortal (T).
Ora, Pedro (t) ó homem (M).
Logo, Pedro (t) é mortal (T).
2. Segunda figura.

O médio é predicado nas duas premissas :
Todo círculo (T) é redondo (M).
Ora, nenhum triângulo (t) é redondo (M).
Logo, nenhum triângulo (t) é circulo (T).
3. Terceira figura.

— médio é sujeito nas duas premissas
A caridade (M) é amável (T).
Ora, a caridade (M) é uma virtude (t).
Logo, alguma virtude (t) é amável (T).
4. Quarta figura.

—O médio é predicado na maior e sujeito
na menor:
Pedro (T) é homem (M).
Ora, todo homem (M) é mortal (t).
Logo, algum mortal (t) é Pedro (T).
Em realidade, esta quarta figura (chamada figura gaélica) não é uma figura distinta. Ela é apenas uma forma indireta da primeira figura.
4. Modos do silogismo
1. Definição e divisão.

— O modo do silogismo restrita de disposição das premissas segundo a qualidade e a quantidade ( A, E, I, O). Cada uma das duas premissas pode ser universal afirmativa (A), universal negativa (E), particular afirmativa (I), particular negativa (O). Por conseguinte, tem-se, na maior, quatro casos possíveis, e, em cada um destes casos, quatro casos possíveis na menor, o que dá dezesseis combinações, seja:
Maior : AAAA EEEE IIII OOOO
Menor : AEIO AEIO AEIO AEIO
Ora estes dezesseis modos podem existir em cada uma das quatro figuras, e tem-se por conseguinte 16 χ 4 = 64 combinações possíveis.
2. Modos legítimos.

— Um grande número destes 64 modos possíveis peca contra uma das regras do silogismo. Os lógicos mostram que dezenove modos somente são legítimos. Eles os designam por palavras latinas de três sílabas. A vogal da primeira sílaba designa a natureza da maior, da segunda a natureza da menor e a da terceira a natureza da conclusão. Eis, a título de exemplo, os modos legítimos das duas primeiras figuras:
a) Primeira figura.

Quatro modos legítimos:
AAA EAE ΑΠ ΕΙΟ
Barbara Celarent Daril Ferio
b) Segunda figura:
EAE AEE EIO AOO
Cesare Camestres Festino Baroco

5. Espécies do silogismo
Distinguem-se duas espécies de silogismos: o silogismo categórico v, o silogismo hipotético.
A. Definições.
1. O silogismo categórico é aquele em que a maior afirmo ou nega puramente e simplesmente. É o de que tratamos até aqui.
2. O silogismo hipotético põe, na maior, uma alternativa, o na menor, afirma, ou nega, uma, dos partes da alternativa.
B. O silogismo hipotético
1. Divisão — Existem três espécies do silogismos hipotéticos:
a) O silogismo condicional: aquele em que a maior é uma proposição condicional:
Se Pedro estudar, será bem sucedido nos exames.
Ora, ele estuda.
Logo, será bem sucedido nos exames.
b) O silogismo disjuntivo: aquele em que a maior é uma proposição disjuntiva:
Ou Pedro é estudioso, ou é preguiçoso. Ora, ele é estudioso. Logo, não é preguiçoso.
c) O silogismo conjuntivo: aquele em que a maior é uma proposição conjuntiva:
Pedro não lê e passeia ao mesmo tempo. Ora, ele passeia. Logo, ele não lê.
2. Redução.

— O silogismo disjuntivo e o silogismo conjuntivo se reduzem a silogismos condicionais.
a) Redução do silogismo disjuntivo:
Se Pedro é estudioso, não é preguiçoso. Ora, ele é estudioso. Logo, não é preguiçoso.
b) Redução do silogismo conjuntivo:
Se Pedro passeia, não lê. Ora, ele passeia. Logo, não lê.
3. Regras. — São em número de quatro.
a) Dar a condição, é dar o condicionado: Se Pedro estuda, ele existe. Ora, ele estuda. Logo, ele existe.
b) Dar o condicionado, não é dar a condição: Se Pedro estuda, ele existe. Ora ele existe. Logo, ele estuda. (Conclusão ilegítima, pois Pedro pode existir sem estudar).
c) Negar o condicionado ê negar a condição: Se Pedro estuda, ele existe. Ora, ele não existe. Logo, ele não estuda.
d) Negar a condição não é negar o condicionado’. Se Pedro estuda, ele existe. Ora, ele não estuda. Logo, ele não existe. (Conclusão ilegítima, pois Pedro pode existir sem estudar).
§ 6. OS SILOGISMOS INCOMPLETOS Ε COMPOSTOS
Os mais empregados são o entimema, o sorites e o dilema…
1. O entimema. ,__.

É o silogismo em que uma das premissas
é subentendida:
Todo corpo é material.
Logo, a alma não é um corpo.
Este argumento subentende a menor seguinte:
Ora, a alma não é material.
2. O sorites.

— É uma série de proposições encadeadas, de maneira que o atributo da primeira seja sujeito da segunda, o atributo da segunda sujeito da terceira, até a última proposição, na qual estão reunidos o primeiro sujeito e o último atributo.
Pedro é uma criança obediente. A criança obediente é amada por todos. Aquele que é amado por todos é feliz. Logo, Pedro é feliz.
3. O dilema.

— É um argumento que força o adversário i\ uma alternativa em que cada parte conduz à mesma conclusão:
Ou tu estavas em teu posto, ou tu não estavas. Se tu estavas, faltaste a teu dever. Se tu não estavas, fugiste covardemente. Nos dois casos, mereces ser castigado.
7. VALOR DO SILOGISMO
1. Objeções.

Propuseram-se contra o valor do silogismo várias objeções, que se podem reduzir as duas seguintes:
a) O silogismo seria apenas um puro verbalismo.

É a objeção constantemente retomada, desde DESCARTES, contra o silogismo. Este se reduziria a uma pura tautologia, isto é, à pura e simples repetição da mesma coisa. Ele não produziria, então, nenhum progresso real para o espírito É o que STUART MILL, em particular, se esforçou por demonstrar. Com efeito, diz ele examinaremos o silogismo seguinte:
O homem é um ser inteligente.
Ora, Tiago é homem.
Logo, ele é um ser inteligente.
Verificamos que, para poder afirmar legitimamente a maior universal "O homem é um ser inteligente", cumpre primeiro saber que Pedro, Paulo, Tiago etc. são seres inteligentes. A conclusão não pode, pois, ensinar-me nada que ainda não conheça. Por conseguinte, o silogismo é um puro verbalismo.
b) O silogismo categórico se reduziria a um silogismo hipotético.

Esta objeção não faz, na realidade, mais do que retomar e estender a objeção precedente. Consiste em dizer que, na impossibilidade de podermos enumerar todos os casos particulares, cuja verdade permitisse formular categoricamente a maior universal, todo silogismo que contivesse como maior uma proposição cujo sujeito fosse uma noção universal (12), seria, simplesmente, um silogismo hipotético. O silogismo, precedente se reduziria, então, a este silogismo hipotético: "Se todos os homens1 são seres inteligentes, Tiago, sendo um homem, é um ser inteligente", ou, mais brevemente: "Se Tiago é homem, é inteligente".
2. Discussão.
a) O silogismo é instrumento de descoberta.

Com efeito, as . objeções a que acabamos de nos referir supõem erradamente que a conclusão está contida explicitamente na maior. De fato, a conclusão não está contida senão virtualmente (ou implicitamente) na maior, o que obriga a recorrer, para descobri-la, a uma idéia intermediária (o termo médio). Daí se segue, também, que a conclusão acrescenta algo de novo e realiza um progresso no conhecimento, a saber, o progresso que consiste em descobrir numa idéia o que nela está contido, mas que se não via imediatamente. Eis por que Aristóteles fala justamente da causalidade do termo médio, assinalando assim seu poder de fecundidade na ordem do conhecer.
b) Valor do silogismo categórico.

Todo silogismo categórico não se reduz a um silogismo hipotético. Os que levantam esta objeção se apóiam sem prova, numa doutrina que nega o valor das idéias universais. A discussão desta doutrina pertence, sobretudo, à Crítica do conhecimento. Mas já se pode observar aqui que o conceito (ou idéia universal) exprime, de início, uma essência ou uma natureza real e objetiva e que, sob este aspecto, tem um conteúdo próprio, aplicável universalmente a todas as espécies do mesmo gênero e a todos os indivíduos da mesma espécie (11). Em outras palavras, o conceito exprime alguma coisa que deve ser reencontrada em todas as espécies (se é um conceito genérico) e em todos os indivíduos (se é um conceito específico). Eis por que nós diremos mais adiante que o conceito exprime o universal e o necessário : como tal serve legitimamente de base ao silogismo categórico.
Pode-se notar, ainda, que a objeção é contraditória em si mesma. Ela quer, de fato, reduzir o silogismo categórico à forma seguinte: "Se Tiago é um homem, é um ser inteligente". Ora, η relação necessária, assim estabelecida, entre dois atributos ou duas noções (humanidade e inteligência), não pode ela própria ser dada evidentemente se não existe uma outra natureza humana, o que quer dizer que o juízo hipotético supõe um juízo categórico. Assim, longe de o silogismo categórico reduzir-se a um silogismo hipotético, é o silogismo hipotético que implica necessariamente num juízo categórico, pois não se pode enunciar a proposição "Se Tiago é um homem, é um ser inteligente" a não ser partindo do juízo categórico: "Ό homem é um ser inteligente".
3. A verdadeira natureza do silogismo.

— Vê-se, pelo que precede, qual é a natureza do silogismo. Já vimos que ele se funda menta na essência das coisas. Isto equivale a dizer que:
a) O silogismo se fundamenta, no necessário.

A essência. é efetivamente, nos seres, o que é necessário, isto é, o que não pode não ser (suposto que os seres sejam). Assim não é necessário que o homem exista (porque Dons o criou livremente) ; mas, se existe, o homem é necessariamente um animal racional. Da mesma forma não c necessário que o círculo exista; mas, se existem objetos em forma de círculo, é necessário que sejam redondos. Por conseguinte, quo o homem seja um ser inteligente ou que o círculo soja rodou do, não é isto uma simples constatação empírca, que se justificasse apenas pela comprovação do que cada homem individualmente é um ser inteligente, e que cada objeto de forma circular é redondo.— mas estas são verdades necessárias, decorrentes do que são, por sua própria essência, a natureza humana e o circulo.
Compreende-se assim como o silogismo, fundamentando-se na essência, quer dizer, no necessário, fornece autenticamente uma explicação ou uma razão de ser, e não um simples fato.
b) O silogismo se alicerça no universal.

Com efeito o que é necessário é, por isso mesmo, universal. Isto deve entender-se do duplo ponto-de-vista da compreensão e da extensão. Porque toda, natureza encerra sempre os atributos que lhe convenham essen-cialmente: eles constituem o âmbito do necessário. (Onde existe natureza humana, existe animalidade e racionalidade.) — Da mesma forma, tudo que se atribui a um universal convirá necessariamente a todos os sujeitos singulares que compõem este universal. (Tudo que se atribui ao homem, como tal, convirá a todos os homens lo mados individualmente.)
IV. A INDUÇÃO

I. Noções gerais.
a) Definição. A indução é um raciocínio pelo qual o espírito, de dados singulares suficientes, infere uma verdade universal.
o ferro conduz eletricidade, o cobre, também, o zinco, também
……ferro, o cobre, o zinco são metais.
Logo, o metal conduz eletricidade.
b) Natureza da indução.. A definição que precede nos permite compreender que a indução difere essencialmente da dedução.
Com efeito, está no raciocínio dedutivo a conclusão contida nas premissas como aparte no todo, enquanto que, no raciocínio indutivo, isto é fácil de ver comparando os seguintes exemplos:
Dedução
O metal conduz eletricidade.
Ora, o ferro é um metal.
Logo, o ferro conduz eletricidade.
Indução
O ferro, o cobre, o zinco… conduzem eletricidade. Ora, o ferro, o cobre, o zinco… são metais. Logo, o metal conduz eletricidade.
2. Princípio da indução.

— Podemos enunciá-lo assim:
O que ê verdadeiro ou falso de muitos indivíduos suficientemente enumerados de uma espécie dada, ou de muitas partes suficientemente enumeradas de um todo dado, é verdadeiro ou falso desta espécie e deste todo.
Os processos do raciocínio indutivo adotados pelas ciências experimentais serão estudados na
Lógica material.
Quanto à questão do fundamento da indução ou do valor do raciocínio indutivo, .iremos reencontrá-la na Lógica maior (indução científica) e na Psicologia (abstração).

O JUÍZO Ε Α PROPOSIÇÃO, SEGUNDO EX SEMINARISTA E ATUALMENTE MESTRE REIKIANO VDM


I. DEFINIÇÕES
Definição do juízo.
— O juízo é o ato pelo qual o espírito afirma alguma coisa de outra; "Deus é bom", o "homem não é imortal" são juízes, enquanto um afirma de Deus a bondade, o outro nega do homem a imortalidade.
O juízo comporta então necessariamente três elementos, a a saber: um sujeito, que é o ser de que se afirma ou nega alguma coisa - um atributo ou predicado: é o que se afirma ou nega do sujeito;, – uma afirmação ou uma negação.
O sujeito e o atributo compõem a matéria do juízo e a forma do juízo resulta da afirmação ou da negação.
Definição da proposição.
— A proposição é a expressão verbal do juízo.
Ela se compõe, como o juízo, de dois termos, sujeito e predicado, e de um verbo, chamado cópula (isto é, elo), pois liga ou desliga os dois termos.
O verbo da proposição lógica é sempre o verbo ser, tomado no sentido copulativo ou relativo, como nesta proposição: "Deus é bom", e não no sentido absoluto, em que ele significa existir, como nesta proposição: "Deus é". Muitas vezes o verbo gramatical compreende a um tempo o verbo lógico e o atributo. Assim, esta proposição: "Eu falo" se decompõe, do ponto-de-vista lógico, nesta: "Eu sou falante". Da mesma forma, "Deus existe" se decompõe assim: "Deus é existente".
II. ESPÉCIES DE JUÍZO E DE PROPOSIÇÕES
Classificação dos juízos
do ponto-de-vista de sua forma e do ponto-de-vista de sua matéria.
a) Do ponto-de-vista da forma. Distinguem-se os juízos afir-mativos e os juízos negativos.

b) Do ponto-de-vista da matéria. Distinguem-se os juízos analíticos e os juízos sintéticos.
Chama-se analítico um juízo em que o atributo é ou idêntico1 do sujeito (o que é o caso da definição; "O homem é um animal racional"), ou essencial ao sujeito ("O homem é racional"), ou próprio (1) ao sujeito ("O círculo é redondo").
Chama-se sintético um juízo cujo atributo não exprime nada de essencial, nem de próprio ao sujeito: "Este homem é velho", "O tempo está claro".
2. Classificação das proposições.
— Podemos classificar as. proposições do ponto-de-vista da quantidade e do ponto-de-vista da qualidade.
A. A quantidade de uma proposição depende da extensão do> sujeito. Pode-se então distinguir:
a) As proposições universais: aquelas cujo sujeito é um termo universal, tomado universalmente. Por exemplo: "O homem (ou: todo homem) é mortal".
b) As proposições particulares: aquelas em que o sujeito ê um termo particular: "algum homem é virtuoso".
c) As proposições singulares: aquelas cujo sujeito ê um termo singular: "Pedro é sábio", "esta árvore é velha". Estas proposições, pela razão dada anteriormente (12), devem ser assimiladas, às proposições universais.

B. A qualidade de uma proposição depende da afirmação ou da negação, conforme a relação do atributo ao sujeito seja uma relação de conveniência ou de não-conveniência.
(1) A propriedade em lógica é um caráter que não pertence à essência do sujeito, mas decorre dela necessariamente.
3) As quatro proposições - Como toda proposição tem no mesmo tempo uma quantidade e uma qualidade, podem se distinguir quatro espécies de proposições, que os lógicos designam por vogais, a saber:
a) A universal afirmativa (A) : Todo homem é mortal.
b) A universal negativa (E) : Nenhum homem é puro espírito.
c) A particular afirmativa (I) : Algum homem é sábio.
d) A particular negativa (O) : Algum homem não ó sábio,
4. Relação dos termos do ponto-de-vista da extensão, nas universais.
a) Nas afirmativas (A), o sujeito é tomado em toda a sua extensão, mas o predicado é tomado apenas em parte de sua extensão. "O homem é mortal" significa que o homem é um dos mor tais, isto é, uma parte dos seres mortais.
b) Nas negativas (E), o sujeito e o atributo são tomados um e outro em toda a sua extensão: "Nenhum homem é puro espírito" significa que o homem não é nenhum dos puros espíritos.
III. DA OPOSIÇÃO
1. Noção.
— Quando se tomam as proposições não já em si mesmas, mas em suas mútuas relações, verifica-se que elas podem opor-se entre si de várias maneiras. Definiremos então a oposição como a relação de duas proposições que, tendo o mesmo mi jeito e o mesmo predicado, têm uma qualidade ou uma quantidade diferente, ou seja, a um tempo, uma qualidade e uma quantidade diferentes.
2. As diversas oposições.
— São em número de qualro.
a) As proposições contraditórias. Chamam-se contraditórias duas proposições que diferem ao mesmo tempo pela quantidade o pela qualidade: uma nega o que a outra afirma, sem que haja in termediário entre a afirmação e a negação:
Todo homem é sábio (A).
Algum homem não é sábio (0).
b) As proposições contrárias. Chamam-se contrárias duas proposições universais que diferem pela qualidade:
Todo homem é sábio (A). Nenhum homem é sábio (E).
c) As proposições sub contrárias. Chamam-se subcontrárias duas proposições particulares que diferem pela qualidade:
Algum homem é sábio (I). Algum homem não é sábio (O).
d) As proposições subalternas. Chamam-se subalternas duas proposições que só diferem em quantidade:
Todo homem é virtuoso (A). Algum homem é virtuoso (I). Nenhum homem é puro espírito (E). Algum homem não é puro espírito (0).
Lei das oposições.
a) Lei das contraditórias. Duas proposições contraditórias (A e O, Ε e I) não podem ser nem verdadeiras, nem falsas ao mesmo tempo. Se uma é verdadeira, a outra é necessariamente verdadeira, a outra é falsa, a outra é necessariamente verdadeira.
b) Leis das contrárias. Duas proposições contrárias (A e E) não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo; se uma é verdadeira, a outra é falsa. Podem, no entanto, ser falsas ao mesmo tempo
Em matéria necessária (isto é, desde que o predicado seja da essência do sujeito), duas contrárias não podem ser simultaneamente falsas. Pode-se, então, concluir da falsidade de uma a verdade de outra.

c) Lei das subcontrárias. Duas proposições subcontrárias (I e O ) não podem ser falsas ao mesmo tempo. Mas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo
Em matéria necessária, duas subcontrárias não podem ser verdadeiras simultaneamente, Pode-se, então, concluir da verdade de uma a falsidade de outra.

d) Leis das subalternas. Duas proposições subalternas (A e I, E e O) podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e falsas ao mesmo tempo, assim como uma pode ser verdadeira e a outra falsa.
IV. CONVERSÃO DAS PROPOSIÇÕES
1. Natureza da conversão.
— Seja a proposição seguinte:
"Nenhum círculo é quadrado". Podemos enunciar a mesma verdade, invertendo os termos, isto é, fazendo do sujeito, predicado, e, do predicado, sujeito: "Nenhum quadrado é círculo". Desta forma convertemos a primeira proposição, quer dizer, transpomo-la, por inversão dos extremos, em uma outra proposição exprimindo a mesma verdade. A conversão pode então ser definida como o processo lógico que consiste em transpor os termos de uma propondo sem modificar a qualidade.
2. Regra geral da conversão.

— A proposição que resulta da conversão não deve afirmar (ou negar) nada mais do que a proposição convertida. Portanto, ora a quantidade da proposição não muda (conversão simples), ora, ao contrário, há mudança de quantidade (conversão por acidente).
3. Aplicações.
a) A universal afirmativa (A) se converte em uma particular afirmativa. Seja a proposição: "Todo homem é mortal". Homem é universal, e mortal é particular (17). Teremos então: "algum mortal é homem".
Esta proposição, como não se converte simplesmente, não é recíproca. É necessário abrir exceção para o caso em que a universal afirmativa é uma definição. Neste caso, ela se converte simplesmente: "O homem é um animal racional". "O animal racional é o homem".

b) A universal negativa (E) se converte simplesmente, porque os dois termos são aí tomadas universalmente (17) : "Nenhum homem é puro espírito". "Nenhum puro espírito é homem". Esta proposição é então recvproca.

c) A particular afirmativa (I) se converte também simplesmente, quer dizer que ela é reciproca, porque os dois termos são aí tomados particularmente: "Algum homem é sábio". "Algum sábio é homem".

d) A particular negativa (O) não pode ser convertida regularmente. Seja a proposição: "Algum homem não é médico"; não
se pode fazer do sujeito homem um atributo, porque ele tomaria uma extensão universal na proposição negativa: "Algum médico não é homem". Mas podemos converter esta proposição por contraposição, isto é, acrescentando a particular negativa aos termos convertidos: "Algum homem não é médico"; "Algum não médico não é não homem"; isto é: "Algum não médico é homem"

LÓGICA FORMAL, SEGUNDO EX SEMINARISTA E ATUALMENTE TERAPEUTA VDM.


1) A Lógica formal estabelece as condições de conformidade do pensamento consigo mesmo. Não visa, então, às operações intelectuais do ponto-de-vista de sua natureza: isto compete à Psicologia, mas do ponto-de-vista de sua validade intrínseca, quer dizer, de sua forma. Ora, todo raciocínio se compõe de juízos, e todo juízo, de idéias: há lugar, pois, para distinguir três operações intelectuais especificamente diferentes:
1. Apreender, isto é, conceber uma idéia.
2. Julgar, isto é, afirmar ou negar uma relação entre duas idéias.
3. Raciocinar, isto é, de vários juízos dados tirar um outro juízo que destes decorre necessariamente.
A Lógica estuda estas três operações em si mesmas, a saber, enquanto elas são atos do espírito, e nas suas expressões verbais, que são: para a apreensão, o termo; — para o juízo, a proposição; — para o raciocínio, o argumento.
Todos os princípios e todas as regras válidas das operações do espírito o são também e da mesma maneira de suas expressões verbais.
Capítulo Primeiro
A APREENSÃO Ε O TERMO
I. DEFINIÇÕES
1. Apreender significa apanhar, tomar, e a apreensão do ponto-de-vista lógico é o ato pelo qual o espírito concebe uma idéia, nem nada afirmar ou negar. A apreensão difere então do juízo, que, veremos, consiste em afirmar ou negar uma coisa de uma outra.
2. A idéia, ou conceito, é a simples representação intelectual de um objeto. Difere essencialmente da imagem, que é a representação determinada de um objeto sensível.
3. O termo é a expressão verbal da idéia. Do ponto-de-vista lógico, é necessário distinguir o termo da palavra. O termo pode de fato comportar várias palavras (por exemplo: o bom Deus, alguns homens, uma ação de estrondo), que, entretanto, constituem uma única idéia lógica.
II. COMPREENSÃO Ε EXTENSÃO
Pode-se considerar uma idéia, e assim também um termo, do ponto-de-vista da compreensão e do ponto-de-vista da extensão. Esta distinção é de importância capital para toda a lógica formal.
1. A compreensão é o conteúdo de uma idéia, isto é, o conjunto de elementos de que uma idéia se compõe. Assim, a compreensão d,a idéia de homem implica os elementos seguintes: ser, vivente, sensível, racional.
2, A extensão é o conjunto de sujeitos a que a idéia convém. É assim que idéia do homem convém aos canadenses, aos franceses, aos negros, aos brancos, a Pedro, a Tiago etc.
.3. Relação da compreensão e da extensão.
a) A compreensão de uma idéia está na razão inversa de sua extensão. A idéia de ser, que é a menos rica de todas, é também a mais universal; a idéia de homem, implicando elementos mais numerosos, não se aplica senão a uma parte dos seres; a idéia de francês, que acrescenta à idéia de homem novos elementos, é ainda mais restrita; enfim, a idéia, de tal indivíduo Pedro, Paulo, de que a compreensão é a mais rica, é também a mais limitada quanto à extensão.
b) O gênero e a espécie. É assim possível ordenar as idéias o, portanto, os seres que elas representam, segundo uma hierarquia baseada em sua extensão. A idéia superior em extensão se chama gênero em relação à idéia inferior, e esta espécie em relação à primeira. E!m princípio, chama-se gênero toda idéia que contém em si outras idéias gerais (animal em relação a homem, pássaro, peixe etc), e espécie toda idéia que não contém senão indivíduos.
III. CLASSIFICAÇÃO DAS IDÉIAS Ε DOS TERMOS
12. Podemos colocar-nos de vários pontos-de-vista para classificar as idéias.
1. Do ponto-de-vista de sua perfeição.
a) A idéia é adequada desde que represente no espírito todos os elementos do objeto. É inadequada no caso contrário.
b) A idéia é clara desde que seja suficiente para fazer reconhecer seu objeto entre todos os outros objetos, e obscura no caso contrário.
c) A idéia é distinta ou confusa conforme faça conhecer οι ι não os elementos que compõem seu objeto. Uma idéia clara pode não ser distinta: um jardineiro tem uma idéia clara, mas não distinta (no contrário do botanista) das flores que cultiva. Pelo contrário, uma idéia distinta é necessariamente clara.
2. Do ponto-de-vista de sua compreensão e de sua extensão.
a) Quanto à compreensão, uma idéia é simples ou composta, conforme compreenda um ou mais elementos. A ideia de ser (o que é) é simples; a idéia de homem (animal racional) é composta
b) Quanto à extensão, devemos distinguir :
A idéia singular: a que só pode aplicar-se a um único indivíduo Pedro, esta árvore, este livro.
A idéia particular: a que se aplica de maneira indeterminada a uma parte somente de uma espécie ou de uma classe dadas. Ela é marcada geralmente pelo adjetivo indefinido algum.
A idéia universal: a que convém a todos os indivíduos de um gênero ou de uma espécie dados: o homem, o círculo, o animal, a mesa etc.
A idéia singular equivale a uma idéia universal, porque, se ela se restringe a um único indivíduo, esgota ao mesmo tempo toda a sua extensão.
3. Do ponto-de-vista de suas relações mútuas.
— As idéias poder ser entre si:
a) Contraditórias, quando uma é exclusiva da outra sem que haja intermediário possível entre uma e outra. Por exemplo: ser e não ser; estar em Paris e não estar em Paris; ser avarento e não ser avarento.
b) Contrárias, quando exprimem as notas mais opostas num gênero dado, de tal sorte que haja um intermediário entre eles: branco e preto; avarento e pródigo; estar em Paris e estar em Roma.

IV. REGRA FORMAL DAS IDÉIAS Ε DOS TERMOS
1. Em si mesma, uma idéia não é nem verdadeira, nem falsa, porque não contém nenhuma afirmação. Ela é o que é e nada mais.
2. Uma idéia pode ser contraditória, isto é, compreender elementos que se excluem mutuamente. Seja a idéia de círculo quadrado.
As idéias contraditórias só podem ser idéias confusas, porque é impossível conceber claramente e distintamente uma idéia realmente contraditória (que é, em realidade, um vazio de idéia), ι
É necessário, então, agir de maneira que nossas idéias não contenham elementos contraditórios. Ora, como a contradição nas idéias provém sempre de sua confusão, é necessário dissipar esta confusão analisando-as, isto é, é necessário defini-las e dividi-las.
V. A DEFINIÇÃO
14 1. Noção. — Definir, segundo o sentido etimológico, é delimitar. A definição lógica consiste de fato em circunscrever exatamente a compreensão de um objeto, ou, em outros termos, em dizer o que uma coisa é.
2. Divisão.

— Distingue-se:
a) A definição nominal, que exprime o sentido de uma palavra. Assim, dizer que a palavra "definir" significa "delimitar" é dar definição nominal.
b) A definição real, que exprime a natureza da coisa mesma. A definição real pode ser:
Essencial. É a que se faz pelo gênero próximo e a diferença específica. Define-se, assim, o homem: um animal racional, animal sendo o gênero próximo, isto é, a idéia imediatamente superior, quanto à extensão, a idéia de homem, e racional sendo a diferença específica, isto é, a qualidade que, acrescentada a um gênero, constitui uma espécie, distinta como tal de todas as espécies do mesmo gênero.
Descritiva. Ê a que, à falta dos caracteres essenciais (gênero próximo e diferença específica), enumera os caracteres exteriores mais marcantes de uma coisa, para permitir distingui-la de todas as outras. (O carneiro é um animal ruminante de cabeça alongada, de nariz recurvado, olho terno etc.) É a definição em uso nas ciências naturais.
3. Regras da definição.

— Existem duas:
a) A definição deve ser mais clara do que o definido. Portanto, é necessário que ela não contenha o termo a definir, — que não seja normalmente negativa, pois dizer que o homem não é um anjo, não é esclarecer a questão da natureza do homem, — enfim, que seja breve.
b) A definição deve convir a todo o definido e apenas ao definido. Quer dizer que ela não deve ser nem muito sumária (o homem é um animal racional do cor branca), nem muito ampla (o homem é um animal).
A APREENSÃO E O TERMO
VI. A DIVISÃO

A divisão de idéias em seus elementos é uma das mais necessárias para obter uma boa definição.
1. Definição.

—Dividir é distribuir um todo em suas partes. Há, então, tantas modalidades de divisões quantas de todos.
2. Espécies. Chama-se iodo o que pode ser subdividido fisicamente, ou ao menos idealmente, em muitos elementos. Donde três modalidades de todo: físico, lógico e moral.
a) Físico. O todo físico é aquele cujas partes são realmente distintas. Este todo pode ser: quantitativo, enquanto composto de partes homogêneas: um bloco de mármore, — essencial, enquanto formando uma essência completa: o homem, — potencial, enquanto composto de diferentes faculdades: a alma humana como composto de inteligência e de vontade, — acidental, enquanto composto de partes unidas pelo exterior: uma mesa, um monte de seixos.
b) Lógico (ou metafísico). O todo lógico é aquele em que as partes se distinguem apenas pela razão. Exprime-se por uma noção universal, que contém outras a título de partes subjetivas. Assim, o gênero contém suas espécies: tal idéia de metal em relação nos diferentes metais (ferro, estanho, cobre, zinco etc.) ou ainda a idéia de animal em relação a animal racional (homem) e a animal não racional (bruto).
c) Moral. O todo moral é aquele cujas partes, atualmente distintas e separadas, são unidas pelo elo moral de um mesmo fim: uma nação, um exército, uma escola, uma família, dois amigos etc. É expresso por um conceito coletivo.
3. Regras. — Uma divisão, para ser boa, deve ser:
a) Completa ou adequada, isto é, enumerar todos os elementos de que o todo se compõe.
b) Irredutível, isto é, não enumerar mais do que os elementos verdadeiramente distintos entre si, de maneira que nenhum esteja compreendido no outro. A divisão seguinte: o homem se compõe de um corpo, de uma alma e de uma inteligência, peca contra esta regra, pois a alma humana compreende a inteligência.
c) Fundada no mesmo princípio, e, portanto, servir-se de membros verdadeiramente opostos entre si. A divisão seguinte: minha biblioteca se compõe de livros de Filosofia e de livros de formato in-8°, peca contra esta regra, porque formato in 8.° não se opõe a Filosofia.

I. DEFINIÇÃO DA LÓGICA, SEGUNDO EX SEMINARISTA VDM


O termo "lógica" vem de uma palavra grega que significa razão, A Lógica é, de fato, a ciência das leis ideais do pensamento, e a arte de aplicá-las corretamente à procura e à demonstração da verdade.
1. A Lógica é uma ciência, isto é, um sistema de conhecimentos certos, fundados em princípios universais. Nisto, a Lógica filosófica difere da Lógica espontânea ou empírica, como o que é perfeito difere do imperfeito. Porque a Lógica natural não é mais do que uma aptidão inata do espírito para usar corretamente as faculdades intelectuais, mas sem ser capaz de justificar racionalmente, recorrendo aos princípios universais, as regras do pensamento correto,
2. Ciência das leis idéias do pensamento, a Lógica pertence por isto à filosofia normativa, porque não tem por fim definir o que é, mas o que deve ser, a saber, o que devem ser as operações intetelectuais para satisfazer às exigências de um pensamento correto. Ela estabelece as condições, não de existência, mas de legitimidade.
3. A lógica é também uma arte, isto é, um método que permite bem fazer uma obra segundo certas regras. A Lógica, de fato, ao mesmo tempo em que define as leis ideais do pensamento, estabelece as regras do pensamento correto, cujo conjunto constitui uma arte de pensar. E como o raciocínio é a operação intelectual que implica todas as outras operações do espírito, define-se muitas vezes a lógica como a ciência do raciocínio correto.
Ι. A Lógica tem por fim a procura e a demonstração da verdade, porque a procura e a demonstração da verdade são o fim (dai inteligência e, por conseguinte, da Lógica, enquanto define as condições de validade das operações do espírito.
II. IMPORTÂNCIA DA LÓGICA
7. É necessário não exagerar nem depreciar a importância da Lógica científica.
1. A Lógica empírica.

— Podemos chegar e chegamos muitas vezes à verdade sem o auxílio da Lógica científica, sobretudo quando as operações intelectuais não comportam uma grande complexidade. Neste caso, é suficiente a Lógica espontânea, da qual η Lógica filosófica é tão-somente um aperfeiçoamento metódico, e LEIBNIZ disse com razão que "as leis da Lógica não são mais do que as regras do bom-senso colocadas em ordem e por escrito".
2. A Lógica científica.

— Mas se o bom-senso é sempre necessário, nem sempre é suficiente. Se se pode observar espontaneamente as regras de um pensamento correto, temos ainda mais probabilidades de o fazer quando estas regras são conhecidas e familiares. — Além disso, não se trata unicamente de conhecer a verdade: é necessário afastar as dificuldades e refutar os erros, e o bom-senso aí encalha muitas vezes, porque ignora as causas de erro e os processos sofísticos. — Enfim, o bom-senso pode tirar de uma verdade as conseqüências mais imediatas. Mas da mesma forma que não sabe elevar-se aos princípios universais, não sabe descer às conseqüências1 remotas.
A Lógica é então necessária para tornar o espírito mais penetrante e para ajudá-lo a justificar suas operações recorrendo aos princípios que fundam a sua legitimidade.
III. DIVISÃO DA LÓGICA
Vimos (6) que a Lógica quer estabelecer as condições a que as operações intelectuais devem satisfazer para serem corretas. Ora, estas condições podem ser grupadas em duas grandes categorias. Existem, de início, as condições que asseguram o acordo do pensamento consigo mesmo, abstração feita de todo dado particular, de tal sorte que elas sejam válidas universalmente. Existem a seguir as condições que decorrem das relações do pensamento com os objetos diversos a que se pode aplicar. Donde as grandes divisões da Lógica:
1. Lógica formal ou menor.

— É a parte da Lógica que estabelece a forma correta das operações intelectuais, ou melhor, que assegura o acordo do pensamento consigo mesmo, de tal maneira que os princípios que descobre e as regras que formula se aplicam a todos os objetos do pensamento, quaisquer que sejam.
Ora, como as operações do espírito são em número de três, a saber: a apreensão, o juízo e o raciocínio, a Lógica formal compreende normalmente três partes, que tratam da apreensão e da idéia, — do juízo e da proposição, — do raciocínio e da argumentação.
2. Lógica material ou maior.

— É a parte da Lógica que determina as leis particulares e as regras especiais que decorrem da natureza dos objetos a conhecer. Ela define os métodos das matemáticas, da física, da química, das ciências naturais, das ciências morais etc, que são outras tantas lógicas especiais.
À Lógica maior, podemos ligar o estudo das condições da certeza, assim como dos sofismas pelos quais o falso se apresenta sob a aparências do verdadeiro. Estas questões não se confundem ab-lolutamente com aquelas de que trata a Crítica do conhecimento. Não se cuida, efetivamente, em lógica, senão de definir, de um ponto-de-vista formal, o que são de direito a verdade e o erro e quais são as condições de direito da certeza, enquanto que a Crítica do conhecimento tem por objeto resolver a questão de saber se de fato nossas faculdades de conhecer são capazes de atingir a verdade.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O MUNICÍPIO E A COMPETITIVIDADE, CONFORME F. G.VDM

AQUI EM SANTA MARIA TEMOS AS MAIS BELAS MULHERES QUE SE DESTACAM NO MUNDO DA BELEZA E DA MODA.
T VDM
Se agora a competitividade passa a ser proeminente, mais do que nunca cabe ao município a responsabilidade de atrair investimento para o interior de seu território. Se antes ele reconhecia-se como carente para garantir recursos provenientes do Governo Federal para áreas prioritárias, como as sociais e as de infraestrutura urbana, agora deve se apresentar com indicadores de excelência para atrair o capital privado. Se, por exemplo, foi lhe dada autonomia para decidir questões relativas á sua gestão, lhe são cobrados resultados; para isso, devem competir entre seus iguais.


Atrair investimentos para o interior do território municipal, torna-se, pois, uma grande prioridade. Com isso, o governo municipal passa a ser visto como viabilizador local da instalação e do sucesso de novos empreendimentos, por meio do fornecimento de infraestrutura urbana e subsídios para a instalação de novas atividades econômicas. Muitas vezes, ante uma concorrência entre locais para melhor atrair o capital, ampliam-se as ofertas fazendo com que quem ganhe - pelo menos em um primeiro momento - seja tão - somente o interesse privado. No outro extremo, o atendimento ás demandas sociais mínimas do cidadão passa a ser prioridade não porque responde a um direito, mas porque um município com melhores indicadores na área social sugere maior competitividade, sobretudo em qualidade da mão de obra e na relação com a imagem de empresas localizadas em seu território.


A partir desse raciocínio de desconfiança em relação ao novo cenário que se apresenta ao município, o qual surge por conta da sua obrigatória apropriação das regras de mercado, o chamado desenvolvimento local pode ser entendido como um esforço para promover tão somente a atividade econômica e a arrecadação municipal, excluindo, assim, interesse sociais mais imediatos.


Tal esforço em atender aos interesses do capital tem desencadeado novos instrumentos de planejamento e de gestão, igualmente de caráter de mercado. é o caso da adoção do marketing urbano como forma de contato entre governo e sociedade e entre governo e capital externo.Esse cenário de valorização do capital não é a única caracteristica das iniciativas de desenvolvimento local. Ao contrário, é possível observar, não apenas no Brasil, mas igualmente em nível internacional, importantes iniciativas de combate á pobreza e á exclusão social. Ai estaria, então, uma forma diferenciada de desenvolvimento local, de caráter humanista, que busca socializar o poder político e os recursos econômicos.

A valorização do Município para o desenvolvimento. Segundo VDM

EM SANTA MARIA RS A VIDA É SEMPRE BELA, OS JOVENS POSSUEM MUITA LUZ....
O POVO DA TERCEIRA IDADE SÃO SERES DE GRANDE SABEDORIA E MUITO CONHECIMENTO...É UMA BELA CIDADE ONDE APRENDEMOS E ENSINAMOS MUITO.
TVDM
No arcabouço ideológico dessas mudanças macroeconômicas está o neoliberalismo, que, ao defender a descentralização, defende também a importância do mercado, a redução do papel do Estado como provedor de demandas sociais e a competitividade entre os locais. Por trás da opção ideológica da descentralização, está também a decepção de os Estados Nacionais não terem sido capazes de atender ás demandas sociais mais básicas. Ao repassar essa responsabilidade aos poderes locais, parece haver um novo ensaio, uma nova tentativa de busca de algo que não dá certo. Na prática, há uma transferência aos governos locais da de conflitos sociais e de demandas não atendidas, como educação, saúde, lazer, segurança, energia, comunicação, entre outras, algumas delas já repassadas á gestão pelo setor privado. Assim, o Estado Nacional perde até mesmo sua função de simples regulador dos interesses econômicos e de redistribuição de riquezas.


Paralelamente a esse repasse entre instâncias de governo - do mais central para o mais local -, observa-se, de forma ainda mais ostensiva, um repasse de novas responsabilidades á sociedade civil, a qual deve se organizar e resolver seus próprios problemas. Na crença de que isso é importante e de que se pode mesmo transformar o todo, a comunidade se organiza em diversas formas e com diferentes objetivos, como: associação de moradores, organizações profissionais, organizações não-governamentais, movimentos de luta pela terra, conselhos temáticos, entre outros.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ur-Nammu, SEGUNDO VDM


Ur-Nammu foi o fundador da terceira dinastia de Ur 2112-2095 a.C. "pai de Amurru". Por volta de 2100 a.C., expulsou os gútios e reunificou a região da Mesopotâmia que estava sob o controle dos acadianos.
Foi um rei enérgico, que construiu os famosos zigurates e promoveu a compilação das leis do direito sumeriano.
O
Código de Ur-Nammu (cerca de 2040 a.C.), surgido na Suméria, descreve costumes antigos transformados em leis e a enfatização de penas pecuniárias para delitos diversos ao invés de penas talianas.

Considerado um dos mais antigos de que se tem notícias, no que diz respeito a lei, foi encontrado nas ruinas de templos da época do rei Ur-Nammu, na região da Mesopotâmia (onde fica o Iraque atualmente).
"O Código de Ur-Nammu (...) foi descoberto somente em 1952, pelo assiriólogo e professor da Universidade da Pensilvânia,
Samuel Noah Kromer.

Nesse Código elaborado no mais remoto dos tempos da civilização humana é possível identificar em seu conteúdo dispositivos diversos que adotavam o princípio da reparabilidade dos atualmente chamados danos morais"